terça-feira, 19 de junho de 2018


No Facebook, um leitor elogia a sedução de minhas palavras e pede uma horinha comigo pessoalmente.

Respondo que sou compromissada e muito feliz.

Ele retruca que não há problema, que não é um impeditivo.

Reforço a minha fidelidade e o quanto que não há sentido a sua insistência.

Ele não desiste: propõe encontro, passa o número do celular e ainda fica provocando que dê provas de minha capacidade.

Continuo direta, objetiva, seca: não tenho olhos para outro. Daí ele se sente ofendido, reclama que não precisava ser grosseira e dispensá-lo.

Um pouco mais e me chamaria de fresca.

O que pretendo esclarecer é que nunca vou pôr em risco o amor verdadeiro de minha vida. Eu sei o quanto é raro e como foi custoso encontrá-lo. Não me esconderei em mentiras para agradar, não me envaidecerei com cantadas, não deixarei que um estranho saiba algo que a meu homem não sabe.

Mantenho orgulho de minha exclusividade. Ando em linha reta porque o meu coração guarda alguém.

Gostaria de declarar, com todas as letras, que ele é a pessoa mais importante de meus atos, o mais especial de meus gestos, o que mais admiro em meus devaneios.

É o meu melhor amigo, o meu confidente, o meu cúmplice.

Só com ele eu me divirto só de conversar. Só com ele eu me alegro só de existir.
Só com ele um minuto longe de casa significa meses de saudade. 

Jamais sacrificaria o que construímos. Já atravessamos momentos pungentes juntos, e não existe mau tempo que nos distancie. Somos inseparáveis Dói apenas de pensar em magoá-lo.

Fidelidade é agradecimento. Agradeço a cada dia por ele estar comigo. E o honrarei agora e sempre.

Mãe é de graça.


É bom ter mãe quando se é criança, e também é bom quando se é adulto. Mãe é bom em qualquer idade. Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco.

O mundo não se importa se estamos desagasalhados e passando fome. Não liga se viramos a noite na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos. O mundo quer defender o seu, não o nosso. O mundo quer que a gente torre nossa grana, que a gente compre um apartamento que vai nos deixar endividados, que a gente ande na moda, que a gente troque de carro, que a gente tenha boa aparência e estoure o cartão de crédito.

Mãe também quer que a gente tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, nossos dentes, nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se drogue, que a gente fume, que a gente beba.

O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em casa.

O mundo não tem doçura, não tem paciência, não nos escuta.

Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusivista, parcial, metida, brigona, insistente, dramática. Sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as nossas vontades, enquanto que o mundo nos exige eficiência máxima, seleciona os mais bem dotados e cobra caro pelo seu tempo.
Mãe é de graça.