É bom ter mãe quando
se é criança, e também é bom quando se é adulto. Mãe é bom em qualquer idade.
Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco
maternal conosco.
O mundo não se
importa se estamos desagasalhados e passando fome. Não liga se viramos a noite
na rua, não dá a mínima se estamos acompanhados por maus elementos. O mundo
quer defender o seu, não o nosso. O mundo quer que a gente torre nossa grana,
que a gente compre um apartamento que vai nos deixar endividados, que a gente
ande na moda, que a gente troque de carro, que a gente tenha boa aparência e
estoure o cartão de crédito.
Mãe também quer que a
gente tenha boa aparência, mas está mais preocupada com o nosso banho, nossos
dentes, nossos ouvidos, com a nossa limpeza interna: não quer que a gente se
drogue, que a gente fume, que a gente beba.
O mundo não tira
nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em
casa.
O mundo não tem
doçura, não tem paciência, não nos escuta.
Mãe é de outro mundo.
É emocionalmente incorreta: exclusivista, parcial, metida, brigona, insistente,
dramática. Sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar
todas as nossas vontades, enquanto que o mundo nos exige eficiência máxima,
seleciona os mais bem dotados e cobra caro pelo seu tempo.
Mãe é de graça.
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