O dito popular é de que "a ocasião faz o ladrão". Será mesmo que, surgindo uma boa oportunidade de roubar sem ser pego, a maioria roubaria?
Convém respeitar os ditos populares: eles são o fruto de uma sabedoria que se mantém por gerações e não se pode deixar de levá-los em conta. No caso dos valores morais, é fato que a conduta de muitas pessoas pode se modificar muito conforme a situação que estejam vivendo.
Em situações de adversidade (guerras, tragédias naturais) a grande maioria das pessoas afrouxa seus valores e luta para sobreviver.
Em condições normais, respeitar os valores que pregam é próprio de 50% da população. Nas grandes adversidades, esse número cai para 0,5%! Sob tortura, a grande maioria dos guerrilheiros contam tudo o que juraram guardar segredo. As exceções são 0,5% dos humanos, os quase santos.
O fato é que as situações excepcionais, aquelas que levam o indivíduo a abandonar seus valores, podem se dar em contextos piores ou melhores.
Em situações de privação de comida, tanto para si como para seus entes queridos, a maioria das pessoas se dispõe a roubar sem sentir culpa.
Em movimentos coletivos, mesmo sem a necessidade real de roubar, são comuns os saques a lojas; a integração ao grupo predomina sobre a culpa.
Em cargos de mando, tanto na esfera pública como privada, os detentores do poder tendem a se valer da posição para obter vantagens indevidas.
Quando a concretização de um dado negócio depende da aprovação de uma dada pessoa, ela fica numa condição que costuma ser objeto de assédio.
São muito poucos os que, diante da possibilidade de obter ganhos materiais em função de sua posição, conseguem manter seus valores intactos.
*Criticar é sempre fácil. Mas a verdade é que, diante de enormes tentações, quase todos nós acabaríamos seduzidos e cairíamos na tentação!