Paz
interior é o que todos nós buscamos. Essa busca é que o está por trás de todas
as outras coisas que queremos. Queremos prosperar para sentir segurança e assim
nos sentirmos em paz. Queremos ter um relacionamento a dois estável, para
termos conforto, apoio e segurança; assim, podemos ficar mais em paz... No
fundo, tudo acaba se resumindo a uma busca por paz interior.
Torne
a vida mais leve, e acredite que, quando você irradia a paz verdadeira em suas
palavras, pensamentos e atitudes, todos ao redor estarão captando sua mensagem
e retribuirão com a mesma intensidade.
Há algum tempo venho pensando na
função das religiões, e a cada reflexão me convenço de que não precisamos de
templos, rituais, mandamentos, pecados, penitências e de intermediários falando
em nome dos deuses – e nem de deuses precisamos. É tudo opcional. O que
precisamos está dentro de nós.
Templos são belos Rituais são igualmente belos e podem
confirmar nossas melhores intenções perante a vida (mas sem plateia também
podemos confirmá-las, você sabe). Pecados e penitências, eu pulo. São
manipulações que só servem para gerar culpa. Intermediários? É bonito contar
com a figura de um pai, seja real ou simbólico, e nesse sentido a figura do
Papa, de um Buda, de um monge ou de qualquer pessoa de carne e osso com um
projeto pacificador pode cumprir a função de extrair de nós a humildade
necessária para não virarmos uns tiranos.
Quanto aos mandamentos, bastaria um
só, um único, que, se fosse obedecido, solucionaria boa parte dos problemas
do mundo: “Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a ti”.
Há muitas versões da mesma frase, mas essa vem sem metáfora, desembalada e
pronta para usar.
Já pensou se ela fosse aplicada na
política? No universo corporativo? Eu sei, é utopia demais, mas se fosse aplicada
ao menos nas nossas relações cotidianas, já faríamos uma revolução.
Pena que ela apresente uma solução
simples, e as pessoas rechaçam o simples.
O simples não gera comoção, não dá
pauta, não é suficientemente bombástico.
A encrenca, a dificuldade, o jogo
de poder, a competitividade, a vingança, isso tudo, sim, torna a vida menos
monótona. Se as coisas derem certo, qual é a graça? Do que iremos nos queixar?
Eu, que adoro uma vida mansa, sou totalmente partidária do
simples, do óbvio, do fácil, do comum – dentro do que ambiciono, eles me servem
muito bem.
Minha religiosidade é desenvolvida através de valores Gentileza,
tolerância, respeito, elegância moral (ouvi essa expressão outro dia e adotei),
honestidade, paciência, troca, afetividade e desapego de mágoas e rancores:
disso tudo provém a verdadeira espiritualidade transmitida de pai para filho,
de avós para netos, de amigos para amigos, sem necessidade de carteirinha de
adesão a qualquer igreja.
Neste Natal (e amanhã, e depois de
amanhã...), ore, é um conforto para a alma. Ou não ore, se não possui o
hábito. Não vai fazer diferença nenhuma para o mundo. O que faz diferença para
o mundo é como você se comporta com os outros, não com Deus. Deus, muitas
vezes, serve apenas para transferir responsabilidades. Assuma a sua, e amém:
estaremos todos em paz.