sexta-feira, 26 de maio de 2017

A forma mais comum de engano no nosso sistema de pensamento deriva de usarmos uma mesma palavra com mais de um sentido. 
No caso em questão, a palavra é AMORNa linguagem coloquial, amor é usado como sinônimo de solidariedade, como amor por tudo e por todos aqueles que estão sobre a Terra. “Eu te amo” é uma expressão usada por um sedutor que conheceu sua “vítima” há poucos minutos e deseja levá-la para a cama. Pessoas alegres e pouco criteriosas se dizem encantadas e amam com facilidade cada nova pessoa que conhecem. 
Uma pessoa egoísta empenhada em se mostrar feliz consigo mesma não titubeia em afirmar: “eu me amo”
Estamos diante de diferentes usos da mesma palavra: uso equivocado, vazio, idealizado ou maroto. 
Usamos a palavra amor como um 7deOURO  em certos jogos: ela serve para todos os momentos e para todas as situações.

Usa-se mais a palavra amor do que vive-se o sentimento. E quantas são as pessoas que se sentem felizes no amor? Pouquíssimas. 
E quem é capaz de definir o que seja o amor? Quase ninguém. 
E como podemos pretender nos dar bem nesse campo se não sabemos nem mesmo como conceituar o sentimento? 
Peço licença para propor uma definição de amor.

*Defino o amor como o sentimento que vivenciamos em relação àquela pessoa cuja presença nos provoca a agradável sensação de aconchego. O aconchego é fundamental para nós, já que, desde o nascimento, nos sentimos desamparados, ameaçados, inseguros e incompletos. 
Nosso primeiro objeto do amor é nossa mãe. O objeto do amor vai se modificando ao longo da vida, mas em cada fase corresponde a um objeto definido. *Assim, o amor é um fenômeno interpessoal, já que amamos alguém cuja presença nos aconchega. 

De acordo com essa definição, não pode existir amor por si mesmo, posto que não me sinto completo e aconchegado quando estou sozinho. Se me sentisse assim pleno em mim mesmo, o mais provável é que não existiria o amor por outra pessoa, uma vez que o convívio íntimo implica em concessões e dificuldades que só são enfrentadas em decorrência dos benefícios que experimentamos a partir dessa intimidade.

Não tenho a menor dúvida de que sexo e amor correspondem a impulsos completamente diferentes, apesar de que sempre foram tratados com parte de um mesmo instinto, especialmente por parte da psicologia psicanalítica, tão influente no século XX. Do meu ponto de vista, o sexo corresponde a um fenômeno instintivo que se caracteriza pela sensação de excitação que experimentamos ao tocarmos nossas zonas erógenas. É evidente que o processo se sofistica principalmente a partir da puberdade, quando surgem as diferenças físicas entre os sexos e onde entra em cena a excitação que deriva dos estímulos visuais e também aqueles que derivam de fantasias que nossa mente é capaz de construir. 

De todo o modo, as diferenças entre amor e sexo são gritantes: amor é a sensação de prazer que deriva do fim da dor relacionada com o desamparo; sexo é um prazer positivo, já que independe da existência prévia de uma dor ou desconforto. 

O amor é interpessoal, uma vez que o aconchego depende da presença de uma outra pessoa; o sexo é pessoal, posto que a estimulação das zonas erógenas pode ser feita pela própria pessoa. Amor e sexo são impulsos completamente diferentes, que podem ser vivenciados separadamente. 
É claro também que combinam muito bem e nada é mais agradável do que trocar carícias eróticas com aquela pessoa que também nos provoca a sensação de aconchego!

Amor ao próximo pressupõe um sentimento difuso de amor por todas as pessoas, o que não está de acordo com a ideia de que o sentimento só se manifesta em relação a quem nos provoca aconchego. Pode existir uma certa sensação de aconchego quando nos sentimos integrados em um grupo maior, como por exemplo quando nos sentimos parte de um povo, de uma pátria. Penso que a melhor palavra para definir esse outro tipo de aconchego derivado de nos sentirmos integrados em um todo maior é solidariedade. 
Solidariedade é um sentimento humano sofisticado, através do qual nos integramos em uma dada comunidade. 
O sentimento pode nos fazer integrado a toda a humanidade, o nos permite entender as palavras do poeta quando ele fala “desses pobres de nós seres humanos”.

Outras vezes usamos em situações nas quais não estamos integrados, mas estamos preocupados com as pessoas que nos cercam. 
Compaixão descreve um sentimento derivado de nos sentirmos sofridos em virtude de nos identificarmos com o sofrimento daqueles que estão à nossa volta. Determina um desejo de ajudar aqueles que estão necessitados. É um sentimento vivido por alguém que se encontra em uma boa condição, mas que se incomoda com o fato dela não ser compartilhada por outros membros do grupo. 

Na solidariedade, somos parte do grupo e nos sentimos integrados nele. Na compaixão, estamos fora do grupo e sofremos com as dores dele. 

Amor próprio e autoestima derivam da ideia de que existiria um efetivo amor por si mesmo, o que contraria frontalmente a definição de amor.
Acontece que existe alguma coisa que sentimos em relação a nós mesmos. Só que não se trata de um ingrediente amoroso e sim sexual. 

Não existe amor por si mesmo, mas existe um importante elemento autoerótico. Existe um tipo de excitação sexual que deriva de nos sentirmos importantes, valorizados, olhados com admiração. Corresponde ao que chamo de vaidade.

Vaidade é conceito mais útil do que narcisismo, já que esse último implica na continuidade da confusão entre sexo e amor. 
Narcisismo não seria amor por si mesmo, mas sim erotismo focado em si mesmo; para esse fim, a palavra vaidade presta melhores serviços. 

Por força da interferência da razão, a vaidade também está a serviço da preservação da nossa integridade. Ela nos protege contra ofensas sutis à nossa pessoa, aquelas que ferem nossa vaidade. Ela nos protege porque, quando ofendidos, sentimos o oposto da sensação positiva da vaidade, que é a humilhação. 

Humilhação é a dolorosa sensação que vivenciamos quando somos depreciados, olhados com desprezo ou desdém. 

Dizemos que temos amor próprio quando nos insurgimos contra situações de humilhação. 
O termo ideal para substituir amor próprio talvez seja orgulho – ou seria honra? 
Nos sentimos ofendidos e gravemente feridos quando somos tratados de modo desconsiderado, o que nos provoca a sensação de humilhação, o que ofende nosso orgulho. O fenômeno não é amoroso e a ofensa nos incomoda mesmo quando vem de alguém que mal conhecemos. 
É claro que nos magoa mais quando somos agredidos por aqueles que nos são caros – e mais ainda pelo amado.

Autoestima, apesar de estima significar afeição, diz respeito ao juízo que fazemos de nós mesmos. 
Nossa autoestima é boa quando somos e agimos de uma forma que nós próprios aprovamos; a autoestima é baixa quando nós mesmos não estamos concordando com nossos procedimentos. 

É claro que a opinião dos outros pode interferir em nossa autoestima. Porém, um elogio ou qualquer ação externa que nos enalteça não nos provocará nenhum efeito se não estivermos satisfeitos com nossas posturas. 
É fato também que uma crítica vinda de fora, dirigida a quem já está tendo um juízo negativo de si mesmo, será muito mais facilmente absorvida. 

*Reafirmo, porém, que não se trata de gostar de si mesmo e que uma boa autoestima depende de estarmos vivendo de acordo com nossas próprias convicções.

O que pensar quando se ouve uma multidão de indivíduos repetir, sem qualquer esforço reflexivo, que “para ser capaz de amar uma pessoa tem que, antes, amar a si mesma”?  Não sou uma boa entendedora do texto bíblico, mas creio que o termo amor foi usado num sentido muito mais amplo
Penso que o texto bíblico pede às pessoas que tratem seus semelhantes com a consideração, respeito e zelo que esperam ser tratados. 

A reflexão é antes de tudo moral, na qual uma pessoa não deveria se atribuir mais direitos do que aqueles atribuídos às outras. 

Por outro lado, o narcisista – aquele que, segundo essa teoria, ama a si mesmo – não é capaz de amar outras pessoas. 
O amor se concentra em si mesmo por medo de se deslocar em direção ao outro. 
Medo sim, pois sabemos que o amor envolve risco de sofrimento derivado de uma eventual perda.

O narcisista é criatura imatura e que, por tolerar mal dores e frustrações, não se arrisca. Assim, não tendo capacidade para amar, apenas espera receber amor dos outros, além de amar a si mesmo. Essa também não é minha convicção, já que pessoas assim imaturas e medrosas não têm boa autoestima. Fingem estar bem consigo mesmas, mas é só aparência. No fundo, sabem que são um blefe e por isso mesmo se tornam invejosas daqueles que são mais corajosos e, não deveriam ser chamadas de narcisistas. Se existisse amor por si mesmo, como já escrevi, provavelmente não existiria o amor como o vivenciamos. 

Quem é corajoso, ousa amar e tenta aliviar o desamparo através do aconchego que a presença do outro determina. 
Quem tiver boa autoestima (juízo que fazemos de nós mesmos) – e isso é muito diferente de amar a si mesmo – será, isso sim, capaz de escolher melhor o parceiro, uma vez que se considerará com direito a uma companhia à altura do julgamento que faz de si mesmo.
As pedras tem um poder fascinante e pode desvendar alguns traços de nossa personalidade.
Além de “enfeitar”. As pedras podem nos dizer muitas coisas, revelar coisas ocultas sobre nossa personalidade.
 Quer saber o que ela tem a dizer sobre você? Escolha uma
1- OPALA: se escolheu essa pedra, saiba que você está sempre a procura da liberdade e ama a vida e faz de tudo para dela desfrutar. Gosta de refletir, de tranquilidade e se puder, corre da agitação do dia a dia.

2- MALAQUITA: hum, você que escolheu essa pedra tem uma esperança gigante no futuro e está muito ligada ao amor. Tem conflitos internos e já está na hora de aprender a enfrentar as mudanças que acontecem em sua vida. Analise tudo com muito cuidado e carinho.

3- PEDRA DO SOL: se essa pedra te encantou saiba que você é uma pessoa dinâmica e muito otimista. Sempre em busca de algo que inspire e nada de pensamento negativo. Seu otimismo é tão elevado que torna-se capaz de ajudar os outros abrindo novos caminhos para que estes possam trilhar com mais sabedoria.

4- OBSIDIANA LÁGRIMA DE APACHE: essa pedra traz um ar mais negativo, pois está ligada ao rotineiro e maus hábitos. Você precisa valorizar-se mais se almeja alcançar objetivos, só assim os conquistará.

5- HOWLITA: essa pedra simboliza a harmonia, paz e é conhecida como turquesa. Você tem muita sintonia com o lado espiritual, seja ele do passado, como do futuro. Adora fantasiar e lá no fundo, tem seu lado meio paranormal.

6- JASPE DÁLMATA: essa pedra te encantou, não é? Isso porque ela traz muita harmonia para consigo mesmo, simplicidade e muita simpatia. Sempre em busca de novas emoções, você esquece tudo ao seu redor para viver com diversão.

invenção da mentira

Uma das mais fascinantes aquisições da nossa espécie foi a linguagem. 
Mesmo dispondo de um cérebro competente, foram necessários vários milênios para que pudéssemos construir um conjunto de sons correspondentes a objetos, seus atributos e ações.
Depois, os sons tiveram de ser transformados em algum tipo de sinal, de desempenho – precursor das palavras e, finalmente, das letras que as compõem. 

O que cada criança demora poucos anos para aprender nos custou muito tempo para construir.

Estabelecida a linguagem, passamos a experimentar um período de grande e rápida evolução, a transferência de informações de uma geração para outra ficou muito mais fácil devido à existência da palavra.

Nossa memória foi suficiente para armazenar todo o conjunto de dados necessários para a evolução em cada setor das atividades humanas.
Essa característica de nosso cérebro pode ser estimulada por meio das palavras e os fatos e os conceitos se fixam no sistema nervoso.

Usando a linguagem, sabemos expressar os mais diversos estados da alma. Podemos fazer perguntas sobre as sensações do outro. Podemos conhecer suas alegrias e a razão de suas amarguras, de forma fácil e direta.

Infelizmente, parece que tudo é uma faca de dois gumes. Até agora, falamos das impressionantes vantagens que obtivemos com a aquisição da linguagem. 

Mas existe também o lado negativo desse processo que nos permitiu um uso mais adequado da inteligência. Por exemplo, uma pessoa, ao perceber que será punida se outras descobrirem determinado comportamento seu, poderá tentar esconder o fato por meio das palavras.

A MENTIRA não deixa de ser uma utilização sofisticada da inteligência, mas também é um subproduto dela por seu caráter imediatista. Pode ajudar momentaneamente. A médio e a longo prazo, leva o mentiroso a se perder, afastando-o da realidade. 
Sim, porque ele passa a utilizar a razão de forma menos rigorosa e precisa.
A mentira é “coisa dos espertos”, dos que querem tirar vantagem sempre. A longo prazo, não há trambique no jogo da vida.
Os seres humanos aprenderam a usar a linguagem para afastar o interlocutor da verdade.
Por meio da mentira, as palavras ganharam peculiaridades muito negativas: se impor indevidamente sobre outra.
A comunicação foi dando lugar ao jogo de poder, à dominação, ao desejo de enganar com o intuito de obter vantagens. 
Em vez de perseguir a verdade, a maioria costuma perseguir a vitória.

Como distinguir a verdade da mentira? Nem sempre é simples. Nem sempre é possível fazer essa separação. 
Mesmo assim, vale a seguinte regra geral: sempre que as palavras não estiverem de acordo com os fatos, prevalecem os fatos.
**/Se um homem diz a uma mulher que a ama muito e a maltrata o tempo todo, consideramos o tratamento e não a palavra.

Falar é fácil e, depois da invenção da mentira, só tem valor quando a palavra vem acompanhada de atitudes que confirmem o que está sendo dito.