Precisava escrever.
...sobre coisas que não importam mais, sobre
aquelas que decidimos deixar para trás, ou simplesmente, deixar ir.
...sobre as coisas simples que vivemos e nem sempre damos a importância que elas merecem; quantas vezes somos engolidos pela rotina diária e deixamos 'passar' da nossa importância
...sobre essa falta de amor que tem marcado nossos dias de forma tão fria; sobre o dinheiro que veio para confundir o amor e o tal do bem querer; sobre carregar valores nos bolsos ao invés do coração; sobre se despedaçar para deixar outros inteiros e sobre permitir que pessoas nos despedacem.
Precisava
escrever.
...só para que, caso algum dia eu não me recorde mais, tenha
registrado ao menos para recordar, ou quem sabe para contar. Recordar e contar
sem sofrer.
Todos nós temos algo a esquecer, a deixar em um
ponto da nossa história em que não nos recordemos, a não ser quando escavamos
em busca de lembranças só para recontar uma história, ou uma experiência. Não é
mesmo? Sim, todos temos.
Pode ser uma tropeçada, para substituir a palavra
'derrota', pois só pelo fato de chegarmos aqui, muitas vezes vencendo sozinhos
grandes obstáculos, é uma grande vitória!
((pode ser um amor sofrido, um término
doído, a despedida não desejada, o derradeiro abraço, a carreira estagnada, os
repetidos nãos e nãos e nãos))
Precisava escrever.
...sobre essa coisa rara e boa que é ter paz: para
decidir, resolver, ter, sentir, estar; sobre ser livre para ser o que quiser
sem se permitir ferir pelo que vão pensar, e dizer; sobre ter coragem de ir
além dos limites que nós mesmos colocamos, ou outros;
...sobre coragem. Coragem para colocar um ponto
final em tudo o que nos entristece, nos limita e, muitas vezes, nos diminuem;
coragem para seguir em frente decididos a deixar a felicidade fixar residência
na nossa vida, mesmo que para isso seja preciso uma poda dolorosa.
A árvore
precisa ser revitalizada. Guarde bem isso: fique atento ao que rouba a beleza
dos seus galhos e bloqueia seus frutos.
A poda pode ser dolorosa, mas é
necessária.
Precisava escrever.
Precisava escrever porque tudo é tão ligeiro, a
vida é um sopro e... tem coisas que só saem da gente por escrito!
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