jogar a toalha ou apenas aguardar ela cair (baita
eufemismo, de alguem que toma porrada todo dia, mas "não desiste
nunca").
Caiu!
Caiu que chegou a fazer barulho. Bateu pesado no
chão. Peso do comodismo e do medo!
Do comodismo
Desde que entrei na a3, sempre bradei que estudaria
para outro concurso... que eu tinha nascido para fazer isso. Não menti! amo a
atividade sem rotina, adoro trabalhar na auditoria (mesmo sabendo que ficar sem
dormir e me alimentar incorretamente vai me tirar anos de vida lá na frente).
Porém, sabendo que se eu continuasse estudando
teria chance real de passar em outro cargo e, inclusive, com carreira/remuneração
mais atrativos.
Me acomodei não só no cargo, mas no cenário em que
me encontrava. É quase inevitável a gente dar aquela "relaxada" e
achar que tudo está tranquilo, está favorável. Mas as coisas mudam. O
cenário muda. A cabeça muda!
Vi a minha remuneração estagnar, meu poder de
compra reduzir, as despesas aumentarem, enquanto outras carreiras até menos
expressivas (não digo menos importantes) e de leque menos amplo de atribuições
terem um salto no Plano de Cargos, Carreiras e Salários graças aos seus
sindicatos com articuladores sagazes
De uma coisa não posso reclamar (chega a ser
contraditório): ter ficado aqui neste estagio. Talvez em outro órgão eu
estivesse ganhando mais, mas será que eu estaria tão realizada como estou agora?
Ficará sempre a dúvida.
Do medo
O que é uma contadora com medo: É a mesma coisa de
um médico que treme? De um jornalista gago? De um professor sem didática?
O problema é que agora estou com medo de não corresponder
a tantas expectativas. Sabe quando você sente que não é bem aquilo que está lá
no seu currículo?
Não que eu tenha escrito alguma mentira ou exagerado em
algo. Mas meu currículo, que é muito melhor do que eu, agora me acusa de
pedantismo!
Porque se no meu currículo eu contasse, não aquilo que já
fiz, mas, por exemplo... o que senti, o resultado.
Medo de ter criado expectativas elevadas demais para o
meu padrão. E é isso: nem comecei e já estou sentindo muita pressão. Chego
em casa e quero ficar sozinha com umas questões:
"Será que não vai ser
dessa vez?"; "Seriam estes dois quilinhos que provocaram todas essas
reticências?"; "Ou será que foi o peso na consciência de estar
abandonando a galera de lá?". São minhas dúvidas, inchando mais que o
tornozelo. Aquele tênis novo, além de me custar o olho da cara levou também a
unha do dedão! Como vou correr sem unha?
Vamos todos dar as mãos neste
momento, respirar fundo e aguardar passar a tempestade. É o que temos pra hoje.
Acabou não, tá? Vírgula.
Desculpem, mas o sistema me leva a operar na lei do
mínimo esforço.
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