Ao abrir os olhos avisto diretamente o DESPERTADOR, e
desperto.
Sim,
há uma diferença entre acordar e despertar.
Amanheci com a sensação de coração
inchado, de sufocamento, mas não tão ruim assim. Uma dor. Dor de saudade.
Há
tanta saudade guardada aqui dentro, que talvez já fosse tempo mesmo de
transbordar, por isso esse aperto.
Saudade do cheiro e cuidado,
daquela voz que exclamava toda vez que me via: "Oi minha beleza!".
Essa falta nada preenche;
*saudade dos amigos da infância, ao ver ou ter
notícias da evolução de suas vidas;
*saudade dos tempos de criança, dos lugares
em que vivi, da leveza de tudo;
*saudade da velha coleção de papéis de carta,
perfumados e lindos!
*saudade de não ter responsabilidade, de não
ter compromissos e obrigações;
*saudade da euforia das roupas novas para as
festas de finais de ano;
*saudade da compra de materiais escolar para o início
de mais um ano letivo.
*saudade da sensação gostosa de
quando me apaixonei pela primeira vez,
...mesmo que hoje olhe para a pessoa e
pense: "Meu Deus, como pude?". Há mágica nas coisas que vivemos na
inocência.
Pausa para um longo suspiro.
São tantas saudades que fica quase impossível listar.
A verdade é que grande parte da nossa história é composta de saudades.
E isso não é tão ruim. Saudade é o que resta daquilo que não ficou.
Saudade boa é saudade do que, mesmo não tendo ficado, foi curado. Aquela saudade da infância que passou, dos cheiros, brincadeiras,
lugares. Aquilo que passa naturalmente com o tempo.
E a saudade ruim? Infelizmente não temos como evitar. É a saudade que
ainda dói, a perda definitiva. Sabe muito bem quão dolorida ela é, quem já
perdeu alguém que se ama para a eternidade. Essa dói até pra se escrever.
Pense no
quão duro é nunca mais sentir o cheiro, os abraços e ver os sorrisos. Tudo isso
passa a ser possível só quando fechamos os olhos e lembramos os momentos que
vivemos juntos.
Entre o passar e o não passar, nos restam as lembranças e a vontade de
fazer com que algumas coisas permaneçam para sempre em nossas vidas, garantindo
assim, que outras saudades não venham a existir.
O dia continua, e com um presente lindo que é a chuva, e sigo com menos aperto do que mais cedo, pois há coisas
que só saem da gente por escrito, e isso alivia, mesmo que seja só a saudade!
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