domingo, 23 de agosto de 2015

O monge e a vaca

Um monge seguia seu caminho, pela montanha, em direção a um mosteiro onde permaneceria por um ano.

Com a aproximação da noite, procurarou um lugar onde pudesse pernoitar.

Logo adiante avistou uma casinha isolada, simples e rústica, onde morava uma família muito pobre.

O monge pediu à família um quarto onde pudessem dormir e seguir viagem na manhã seguinte.

O dono da casa, muito solícito, ofereceu um pequeno quarto disponível, mas se desculpou por não ter cama nem nenhum tipo de conforto. Era apenas um chão forrado de palha.

O monge disse que só aquilo já estava ótimo. O monge perguntou ao dono da casa:

– Neste lugar não há sinais de comércio ou trabalho. De onde vocês tiram seu sustento?

O dono da casa respondeu:

– Ah, temos aqui atrás da casa uma vaquinha milagrosa. Ela nos dá muito leite todos os dias e, com isso, conseguimos fazer queijo, coalhada e mingau. E dessa forma vamos sobrevivendo.

O monge agradeceu a hospitalidade e, parou, deu meia-volta, contornou a casa e soltou a vaquinha do pasto. Levou-a até o precipício e, então, atirou o animal lá de cima.

Passado um ano, o monge resolveu retornar à cidade e, para isso, teria que percorrer o mesmo caminho.

Chegando lá, viu que o lugar estava diferente. A casa da qual lembravam não existia mais. No lugar, um belo casarão, bem pintado e decorado despontava na paisagem, juntamente com diversas carroças e um agradável jardim. Chamaram pelo dono da casa e este os veio receber. Era o mesmo homem de antes, porém estava mais bem nutrido, feliz e suas roupas não eram os trapos de antes e o acolheu.

O monge perguntou ao dono da casa:

– Neste lugar não há sinais de comércio ou trabalho. De onde vocês tiram todo seu sustento?

O dono da casa respondeu:

– Ah, ocorreu uma tragédia conosco há um ano. Nossa vaquinha leiteira, única fonte de sustento da família, se soltou do pasto e caiu no precipício. Entramos em grande aflição e nos vimos obrigados a procurar outras formas de nos manter. Assim, aprendemos a plantar e cultivar diversas frutas e hortaliças, começamos a fazer produtos próprios e comercializá-los lá na cidade. Assim, graças à perda da nossa vaquinha, hoje temos uma vida muito melhor do que antes.

Empurrar a vaca para o precipício significa sair da nossa zona de conforto e tomar uma ação, desestabilizar para buscar uma nova sintonia, é não se conformar com a situação que você tem hoje.

A família da história passou por um momento de crise, de grande instabilidade, mas isso foi o que fez com que eles tomassem alguma atitude.

Talvez a sua vaca seja alguma desculpa que você dá a si mesmo: falta de tempo, de dinheiro, de ânimo, de autoestima.

Será que realmente não há espaço, criatividade e forças para arranjar apenas o suficiente que lhe falta para estudar e correr atrás de uma vida melhor?

Pense nisso! Faça o melhor que pode hoje.

Amanhã, faça um pouco mais, se aperfeiçoe. E depois de amanhã um pouco melhor que ontem.

E assim, siga em frente construindo seu caminho de superação.
 
 

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