Com a aproximação da noite, procurarou um lugar onde pudesse
pernoitar.
Logo adiante avistou uma casinha isolada,
simples e rústica, onde morava uma família muito
pobre.
O monge pediu à família um quarto onde pudessem dormir e seguir
viagem na manhã seguinte.
O dono da casa, muito solícito, ofereceu um pequeno quarto
disponível, mas se desculpou por não ter cama nem nenhum tipo de conforto. Era
apenas um chão forrado de palha.
O monge disse que só aquilo já estava ótimo. O monge perguntou ao
dono da casa:
– Neste lugar não há sinais de comércio ou trabalho. De onde vocês
tiram seu sustento?
O dono da casa respondeu:
– Ah, temos aqui atrás da casa uma vaquinha milagrosa. Ela nos dá
muito leite todos os dias e, com isso, conseguimos fazer queijo, coalhada e
mingau. E dessa forma vamos sobrevivendo.
O monge agradeceu a hospitalidade e,
parou, deu meia-volta, contornou a casa e soltou
a vaquinha do pasto. Levou-a até o
precipício e, então, atirou o animal lá de cima.
Passado um ano, o monge resolveu retornar à cidade e, para isso,
teria que percorrer o mesmo caminho.
Chegando lá, viu que o lugar estava diferente. A casa da qual
lembravam não existia mais. No lugar, um belo casarão, bem pintado e decorado
despontava na paisagem, juntamente com diversas carroças e um agradável jardim.
Chamaram pelo dono da casa e este os veio receber. Era o mesmo homem de antes,
porém estava mais bem nutrido, feliz e suas roupas não eram os trapos de antes
e o acolheu.
O monge perguntou ao dono da casa:
– Neste lugar não há sinais de comércio ou trabalho. De onde vocês
tiram todo seu sustento?
O dono da casa respondeu:
– Ah, ocorreu uma tragédia conosco há um ano. Nossa vaquinha leiteira, única fonte de sustento da família, se soltou
do pasto e caiu no precipício. Entramos em grande aflição e nos vimos
obrigados a procurar outras formas de nos manter. Assim, aprendemos a plantar e
cultivar diversas frutas e hortaliças, começamos a fazer produtos próprios e
comercializá-los lá na cidade. Assim, graças à perda da nossa vaquinha, hoje
temos uma vida muito melhor do que antes.
Empurrar
a vaca para o precipício significa sair da nossa zona de conforto e tomar uma ação, desestabilizar
para buscar uma nova sintonia, é não se conformar com a situação que você tem
hoje.
A família da história passou por um momento de crise, de grande
instabilidade, mas isso foi o que fez com que eles tomassem alguma atitude.
Talvez a sua vaca seja alguma
desculpa que você dá a si mesmo: falta de tempo, de dinheiro, de ânimo, de
autoestima.
Será que realmente não há espaço, criatividade e forças para arranjar apenas o suficiente que lhe falta para estudar e correr atrás de uma vida melhor?
Pense nisso! Faça o melhor que pode hoje.
Amanhã, faça um pouco mais, se aperfeiçoe. E depois de amanhã um
pouco melhor que ontem.
E assim, siga em frente construindo
seu caminho de superação.
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