domingo, 24 de agosto de 2014

amor imposto


Pedir ou desejar que alguém nos ame, ou que amemos alguém – como por decreto ou imposição de vontade – é uma pretensão impossível de se realizar.  

Não estou a referir-me àquele amor  “à  moda cristã”, com o qual nos iludimos em belos e inflamados discursos sobre como devemos “amar nossos inimigos” (e principalmente eles, porque amar amigos não deveria se constituir tão grande desafio).

Falo daquele amor –paixão! 

“Amo porque você me ama”, “Amo porque você me faz feliz”, “Porque me sinto bem ou realizado ao seu lado”, “Porque você me compreende”, “ Porque me aceita do jeito que sou”, “Porque é bonita” ou Inteligente...

Nesse universo de sensações, acontece de tudo: algumas pessoas sentem necessidade  de ter ao lado parceiros dependentes,  problemáticos, que lhes proporcione clima de tensão emocional, brigas constantes e outras esquizofrenias paranóides.

Afinal, “ser louco pode ser normal”...

O problema maior e decisivo, é que fatalmente chega o momento no qual vai haver o questionamento sobre, se amamos a pessoa real, o ente idealizado que projetamos ou apenas alguns acessórios que o outro possui e que nos agrada.

Problemas de relacionamentos, sobretudo nos matrimônios, sempre existiram, 

mas as condições da sociedade mascaravam, maquiavam cruéis realidades, obrigando cônjuges a viveram uma vida de infelicidade por opressão ou necessidade.

Perdoem a sinceridade,  mas não posso imaginar que  após esgotadas todas as tentativas de convivência, seja maior pecado cada um seguir seu caminho e tentar ser feliz, do que ficar repetindo como um mantra que “casamento é prá toda a vida”, quando se sabe de modo intimo e categórico, que não existe mais nada entre os dois.

Ou aprenda a aceitar as pessoas do jeito que são (se perceber que não vão mudar), e isso incluí aceitar você também e não viver se sabotando ou guerreando contra si mesmo, ou, corra o risco de partir em busca de uma nova chance de ser feliz.

Busquem se perdoar e seguir com a vida, e pouco importará os que de fora julguem ou condenem o que for decidido.

Felizes os que podem amar nos primeiros tempos com fogo de paixão arrebatadora e após a lenha consumir-se, seguir amando pelo simples calor que restar das brasas do compromisso de uma  promessa que se fez ao outro e a si mesmo...

Mas a meu ver, só compete às pessoas envolvidas decidir isso.

Ponhamos freio em nossas tendências de julgar coisas tão particulares, estando de fora da realidade de relacionamentos alheios.

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