domingo, 6 de janeiro de 2013

365 dias.. escrever





Eu vou escrevendo a minha história. Ora com lápis clarinho com letra quase invisível, que são os momentos silenciosos, onde os rabiscos saem tímidos, quase sem querer. Ora com caneta preta, vermelha, forte, grifando bem as palavras para eu não me esquecer. Considerando cada momento, cada etapa, seja ela qual for de extrema importância, sem, contudo achar que estou fazendo algo fabuloso.

E não é que me falte desejos! Tenho sim, desejos de escrever uma história fenomenal, mas por enquanto fico devendo e vou apenas cumprindo a minha função de escrever alguns dias perfumados e outros sem nenhum odor. Essa tarefa eu me dou ao prazer e acho proveitoso observar que não sou restrita. Escrevo longas laudas. Apago e algumas vezes, amasso, jogo fora e começo tudo de novo.

Escrevo quando me dá na cabeça e palavras saciam minhas indagações, mesmo sem trazer respostas coerentes. Minha escrita vem da alma, sem intenção de salvar quem quer que seja. Escrevendo, permuto a tristeza, a saudade, a angústia pelo afeto e assim resolvo minhas indagações sentimentais. Alguns trechos que são exatos, possuem uso sem moderação de extensa pontuação. São as vírgulas necessárias indicando um suspiro leve. As infinitas reticências, que aguardam respostas para questões subjetivas, únicas, particulares. São os tempos de fragilidade, incertezas e de lágrimas.

Há ainda algumas escritas imbecis, emburradas e instigantes que variam de interrogações a exclamações, como se eu tivesse realizado grande coisa, ou colocado contra a parede a vida. A minha vida. Existem ainda trechos de concordância dos pontos finais. Fecharam-se ciclos, concordei ou precisei aceitar algumas coisas. Aspirando um novo começo. Uma nova etapa, as reticências cumpriram sua missão. Deixando, algumas seqüelas afetivas, incapazes de reagir à tamanha indecisão, os pontos finais anunciam partidas daquilo que foi vivido e chegadas, reconfortando os sonhos e acalentando as esperanças.

Amor é minha maior substância. Com ele tenho intimidade. Aliás, interesso-me pelo amor e sinceramente espero que ele também tenha interesse em mim. Esse é o gancho que uso para entregar-me aos bons sentimentos. E desse jeito, muito pessoal eu repenso sobre meus erros. Refaço meus conceitos.. Com todo este desastre emocional eu me curo nas letras ou elas me curam. Pouco importa a ordem, só sei que apesar de tudo, acho isso muito libertador. Encolho-me e estico tanto o coração quanto o corpo para ver no que vai dar.

Escrevo e canto. Canto e escrevo, com promessas de deixar prevalecer o essencial, o básico. Deixo tudo isso caber dentro de mim e se sobrar espaços, colocarei mais romances, amores, ternuras, doses mais generosas de alegria. Tudo sempre mais, para não sobrar nenhuma página em branco.

Nenhum comentário: