Eu vou escrevendo a minha
história. Ora com lápis clarinho com letra quase invisível, que são os
momentos silenciosos, onde os rabiscos saem tímidos, quase sem querer.
Ora com caneta preta, vermelha,
forte, grifando bem as palavras para eu não me esquecer. Considerando cada
momento, cada etapa, seja ela qual for de extrema importância, sem, contudo
achar que estou fazendo algo fabuloso.
E não é que me falte
desejos! Tenho sim, desejos de escrever uma história fenomenal, mas por
enquanto fico devendo e vou apenas cumprindo a minha função de escrever alguns
dias perfumados e outros sem nenhum odor. Essa tarefa eu me dou ao prazer e
acho proveitoso observar que não sou restrita. Escrevo longas laudas. Apago e
algumas vezes, amasso, jogo fora e começo tudo de novo.
Escrevo quando me dá na
cabeça e palavras saciam minhas indagações, mesmo sem trazer respostas
coerentes. Minha escrita vem da alma, sem intenção de salvar quem quer que
seja. Escrevendo, permuto a tristeza, a saudade, a angústia pelo afeto e
assim resolvo minhas indagações sentimentais. Alguns trechos que são exatos,
possuem uso sem moderação de extensa pontuação. São as vírgulas necessárias
indicando um suspiro leve. As infinitas reticências, que aguardam respostas
para questões subjetivas, únicas, particulares. São os tempos de fragilidade,
incertezas e de lágrimas.
Há ainda algumas escritas
imbecis, emburradas e instigantes que variam de interrogações a exclamações,
como se eu tivesse realizado grande coisa, ou colocado contra a parede a vida.
A minha vida. Existem ainda trechos de concordância dos pontos finais.
Fecharam-se ciclos, concordei ou precisei aceitar algumas coisas. Aspirando um
novo começo. Uma nova etapa, as reticências cumpriram sua missão. Deixando,
algumas seqüelas afetivas, incapazes de reagir à tamanha indecisão, os
pontos finais anunciam partidas daquilo que foi vivido e chegadas,
reconfortando os sonhos e acalentando as esperanças.
Amor é minha maior
substância. Com ele tenho intimidade. Aliás, interesso-me pelo amor e
sinceramente espero que ele também tenha interesse em mim. Esse é o gancho que
uso para entregar-me aos bons sentimentos. E desse jeito, muito pessoal eu repenso
sobre meus erros. Refaço meus conceitos.. Com todo este desastre emocional
eu me curo nas letras ou elas me curam. Pouco importa a ordem, só sei que
apesar de tudo, acho isso muito libertador. Encolho-me e estico tanto o coração
quanto o corpo para ver no que vai dar.
Escrevo
e canto. Canto e escrevo, com promessas de deixar prevalecer o essencial, o
básico. Deixo tudo isso caber dentro de mim e se sobrar espaços, colocarei mais
romances, amores, ternuras, doses mais generosas de alegria. Tudo sempre mais, para
não sobrar nenhuma página em branco.
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