O mal que as redes sociais
podem provocar nos usuários ao criar a ilusão de que a vida postada pelos
“amigos” é a verdadeira acontece. O Facebook permite que se
reencontrem personagens relevantes do nosso passado e o conhecimento de novos
“amigos” que poderão vir a ser verdadeiros parceiros sentimentais.
O Facebook tem um caráter
exibicionista, em que as pessoas postam fotos e descrevem situações ideais, de
férias, de pratos deliciosos que estão comendo em locais privilegiados e coisas
do gênero, que são capazes de despertar admiração e inveja em quem não está
vivenciando aquela situação por falta de tempo ou por falta de meios materiais.
O Facebook é um local de um
exibicionismo grosseiro e que está a serviço de uma autopromoção um tanto
patética. Assim como na vida real, no universo virtual deveríamos ser
cuidadosos ao nos exibirmos. Isso pode indicar apenas o desejo de despertar a
inveja dos que estão nos observando, o que é uma óbvia manifestação agressiva e
maldosa.
Acho fundamental
compreender que o mundo virtual se distingue muito pouco do real: um é a
representação do outro. As pessoas exibem momentos
especiais de suas vidas, que não têm nada a ver com o cotidiano delas. Revistas
no estilo de “Caras” fazem a mesma coisa. Zigmund Bauman, um sociólogo polonês
radicado na Inglaterra, afirma que o Facebook é uma espécie de revista “Caras”
individual, onde a pessoa comum se exibe da mesma forma que fazem as
celebridades nas revistas impressas. Acho que ele tem razão.
É claro que as redes
sociais devem ser usadas, mas com as devidas reservas. Trata-se de local de
intercâmbio de informações, de busca de aproximação com pessoas com as quais se
tem afinidades, novas parcerias sentimentais, de amizade e trocas de todo o tipo.
Deve ser evitado é o
excesso de dois tipos. O primeiro é renúncia à vida real para viver só por
conta do que acontece no Facebook. Existem pessoas quase que viciadas nesse
tipo de convívio. O segundo excesso seria o exibicionismo grosseiro e
agressivo, em que o objetivo é se destacar provocando a inveja dos supostos
“amigos”.
A curiosidade pelo que
acontece com as outras pessoas sempre existiu: no passado, as pessoas ficavam
com cadeiras na porta de suas casas para saber como viviam seus vizinhos! Todos
leem com interesse as páginas policiais para saberem dos crimes e assaltos.
Todos querem saber como vivem as outras pessoas, talvez até para terem alguma
ideia interessante a ser copiada para a própria vida.
Então, esta é uma
curiosidade natural?
Nada de mais natural do que
querer saber da vida das outras pessoas. O que é grave, que deve ser evitado, é
viver criticando modos de ser e de viver que sejam diferentes dos nossos, e provocar inveja com uma falsa realidade.
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